De
volta aos evangelhos. Não existe exatamente um Evangelho de São Paulo. Entretanto, existem poucas coisas mais autênticas do
que as escrituras escritas por ele. Nenhum dos discípulos conhecia a bíblia
melhor de que Paulo. Primeiro ele não queria saber nada de Jesus. Montou um grande
esquema de perseguição, mandou queimar e matar os primeiros cristãos. Parecia que
estava cego de tanta raiva. Era mais um daqueles que se recusam a ver a verdade
porque têm certeza absoluta que o outro está errado.
Um
dia Paulo encontrou Jesus. Na marra. Galileu não podia obrigar os cardeais a olhar
pelo seu telescópio para ver o movimento dos astros, mas Jesus podia pegar
Paulo e obrigá-lo a abrir os olhos e reparar a verdade. De repente aquele que
era um perito em escrituras antigas começou a perceber como Jesus se encaixava
em todas as profecias sobre o Messias.
Tudo ficou muito claro! A religião judaica sempre estivera esperando este Messias.
Há dezenas de referências sobre ele e parecia que cada vez que Paulo olhava o Antigo
Testamento achava mais uma prova de que Jesus era o Salvador prometido por
séculos.
A
coisa linda com a verdade é que quando você está no caminho certo, tudo se
encaixa e começa a confirmar sua teoria. E isso aconteceu com Paulo. Parece que
ele viajou pelo mundo todo gritando “olha aqui, o que achei!” “Porque não
percebemos isso antes?” “Gente, Jesus cumpriu todas estas profecias!” Então ele
viajou o mundo romano visitando as sinagogas mostrando nas velhas escrituras
como o Reino de Deus tinha chegado. A propósito, “evangelho” significa “boas
notícias”, então talvez não seria tão errado chamar esta história de “Evangelho
de Paulo”.
Paulo
tinha tido uma vida muito boa antes. Rico, culto e cidadão romano. Não
precisava passar dificuldades como naufrágio, perseguição e fome. Mas isso é
uma bela prova de que ele era autêntico: estava tão convencido da verdade que
escolheu sofrimento e tortura em vez de buscar uma saída simples. Sabia
exatamente o que significava perseguição, porque era ele quem perseguia os
outros. Mas, de um instante para o outro ele mudou para o lado dos perseguidos.
A
tradução de mártir é “testemunho”. Neste caso significa que alguém não se cala,
mas segue testemunhando a verdade, mesmo sabendo que será morto por isso. Não é
apenas um teste de caráter, é também um teste da verdade, porque poucos querem
sofrer pela mentira quando veem uma saída para sobreviver. Não cabe a mínima
dúvida que Paulo era um personagem histórico e que Paulo era absolutamente
verdadeiro.
Não
era como Haeckel que tinha que admitir que tudo foi uma grande fraude. Não
precisava “modificar as imagens um pouquinho”. A imagem de Cristo na cabeça de
Paulo ficava cada vez mais nítida e ele não poupou nenhum esforço para
mostrá-la. Estava disposto a morrer pela verdade. Sempre haveria uma saída
fácil para Paulo, pois ele não ganhava nada pregando o evangelho. Poderia ter
continuado a ser uma pessoa respeitada bem abastecida de bens terrestres.
E
isto não aconteceu apenas com Paulo, mas com todos os apóstolos. E com mais
centenas de outros seguidores de Jesus.
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